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Os impactos do coronavírus na indústria do entretenimento


A chegada do COVID-19 no dia 31 de dezembro de 2019 pegou de surpresa os mais diversos setores do mundo inteiro. Até então chamada de epidemia, a doença surgida na China colocou o planeta em alerta por se tratar de um vírus parcialmente desconhecido com uma grande facilidade de transmissão entre indivíduos. Após um surto da doença na Itália que se espalhou pelo globo, a Organização Mundial da Saúde no dia 11 de março elevou o status da doença para pandemia, gerando comoção generalizada. Eventos, shows e campeonatos esportivos foram cancelados, a bolsa de valores de diversos países, inclusive a brasileira, sofreram quedas bruscas. Líderes mundiais e artistas contraíram a doença. Desde as grandes corporações até os microempreendedores estão sentindo no bolso o impacto da doença que tenta ser freada de todas as formas possíveis pelos governos e instituições mundiais. A indústria do entretenimento não fica de fora disso.

Legenda: No cinema, muitos filmes retrataram o planeta terra sendo infectado por vírus pandêmicos. Na foto, exemplo da trilogia Planeta dos Macacos, que fala sobre a extinção da raça humana e a potencialização da inteligência primata.


Medidas preventivas foram acionadas após mais de 100 países identificarem casos da doença: Cinemas foram fechados provisoriamente, grupos de risco foram definidos e toda pessoa que teve contato com quem possua qualquer chance de estar com a doença foi isolada em casa, em quarentena. Essa parece ser a receita perfeita para as plataformas de streaming e canais de televisão, que podem se beneficiar enormemente deste momento para ampliar suas assinaturas. É o caso da Netflix que, de acordo com a Forbes, aumentou suas ações em 2% desde o início de fevereiro, contrariando a maioria das curvas decrescentes da bolsa de valores dos Estados Unidos.


Além disso, três novas plataformas de streaming serão lançadas nos Estados Unidos entre março e maio deste ano. Quibi, Peacock e HBO Max trarão um catálogo variado com produções incluindo estrelas como Liam Hemsworth, séries adoradas pelo público como The Office e o sucesso infantil de gerações Vila Sésamo. A expectativa é que elas possam se beneficiar da sede de entretenimento estadunidense para alavancar as vendas em seus primeiros meses.


Apesar da perspectiva animadora neste ramo do entretenimento, o coronavírus também possui o potencial de causar uma falsa lucratividade para serviços de streaming que contam com um catálogo de produções próprias, como Netflix, Disney Plus e HBO Max. A curto prazo, eles se beneficiarão de suas produções já existentes, mas o adiamento ou cancelamento das gravações e lançamento de séries e filmes pode trazer danos a longo prazo para essas plataformas que já possuíam um cronograma de investimentos e lucros esperados para 2020 com cada novo título.

Legenda: A gravação da segunda temporada de ‘The Witcher’, da Netflix, foi adiada por duas semanas para prevenir a doença, assim como as gravações do live action de A Pequena Sereia, da Disney, que da mesma forma tiveram suas gravações pausadas.


Os canais de televisão, que também poderiam ser beneficiados pelas medidas preventivas do novo vírus, sofrem de formas distintas. De acordo com o site Variety, o canal britânico BBC precisou adiar a cobrança de assinatura para pessoas com mais de 75 anos. A medida, que estava prevista para entrar em vigor a partir de junho, só será imposta em agosto, devido à importância de que esse grupo de risco tenha acesso a informações sobre a pandemia e também desfrute de entretenimento. A medida, no entanto, definitivamente causará um impacto na lucratividade do canal. No Brasil, a Rede Globo cancelou o programa Mais Você porque a apresentadora Ana Maria Braga pertence ao grupo de risco e está em tratamento contra um câncer. Além disso, a novela das nove, Amor de Mãe, deixará de ser transmitida pois atrizes e atores acima de 55 anos, maioria no elenco, devem entrar em isolamento preventivo. A criação destes ‘buracos’ na programação é preocupante, pois afeta em grandes escalas a rentabilidade do canal de televisão e ameaça muitos empregos.


Outra indústria que vive períodos de gangorra é a da publicidade. Por um lado, ela pode ganhar notoriedade na divulgação de produtos e serviços que auxiliem no combate e prevenção da doença ou com marcas demonstrando apoio neste momento de adversidade. Ministérios da Saúde de diversos países se aliam a publicidade para transmitir formas de prevenção da doença a toda população. Por outro, algumas práticas que antes eram consideradas aceitáveis e atrativas podem ser alvo de críticas ao não se adaptarem às novas instruções de saúde pública e controle de transmissão do coronavírus.


Um exemplo disso é o bordão da rede de frango frito KFC, “Finger Lickin’ Good”, que ressalta o quão saboroso é lamber os dedos durante a refeição no fast food. Após quase duzentas reclamações, a campanha, que já é veiculada há mais de quatro anos e que teve os comerciais mais recentes colocados ao ar há dois meses, foi retirada de circulação temporariamente por promover hábitos que potencializam o contágio do COVID-19. Outro exemplo infeliz é a da cerveja mexicana Corona, que foi associada com o nome da doença e teve uma explosão de pesquisas no Google. Memes e fake news sobre a relação entre a marca criada em 1925 e o vírus preencheram as redes sociais, embora o verdadeiro impacto dessa correspondência não tenha sido quantificado ainda no número de vendas.


Assim como com a marca de cerveja, ainda não é possível prever como os acontecimentos irão se desenrolar até que a vacina para a doença seja encontrada. As curvas de crescimento e decréscimo da doença ditam não só batimentos cardíacos da população afetada diretamente pelo vírus, mas também a sobrevivência de empresas, ideias e empregos. O entretenimento e a informação são vitais para a manutenção da esperança da população na superação dessa pandemia, e por isso é importante que, com seus altos e baixos, continuem disponíveis para o mundo todo, não importa o formato.

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