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Marketing, Cultura Popular e Pôsteres de Filmes no Cinema

Janyne Leonardi


Pôsteres de filme são o oposto do cinema. São imagens estáticas repletas de tipografia que tentam convencer o telespectador em um só frame que vale a pena assistir o longa-metragem. Entretanto, seria possível passar toda a ideia de um filme em uma única imagem? A estratégia de marketing que usa cultura popular aliada ao cinema Hollywoodiano mostra que sim.


Um filme não depende apenas de um Oscar ou de um Globo de Ouro para alcançar notoriedade. Jaws (1975) e Pulp Fiction (1994) são exemplos de notoriedade dentro e fora da Academia. A cultura popular massifica produções que são capazes de criar tendências e de transmitir informações claras e diretas, criando um circuito de curiosidade que gera receita para a produção e referências para gerações. Os dois filmes foram recordes de bilheteria e continuam como símbolos pop usados em merchandising e mencionados em produções populares atuais. O filme Nós (2019), por exemplo, conta com um dos protagonistas usando uma camiseta com o pôster de Jaws logo no início do longa


Entretanto, nem todo filme quer ou consegue criar tendências e ganhar notoriedade. Nem todo filme é produzido para ganhar um Oscar ou permanecer por décadas. Mas todo filme quer ser visto e quer gerar lucro em relação ao que foi gasto com sua produção e marketing. Não há uma fórmula mágica de como criar um filme que será abraçado pela cultura popular, mas quando uma produção é capaz de alcançar esse estágio, a indústria cinematográfica pega carona nesses grandes sucessos e os recicla para gerar ainda mais receita. Um exemplo disso é Jaws. Quantos outros filmes de tubarão foram lançados desde que Steven Spielberg transformou o animal em um grande monstro assassino? Mesmo assim, Jaws continua sendo a maior referência entre eles.


Você já notou como os pôsteres de cinema abusam das cores azul e laranja em filmes de ação e aventura? Ou como sempre há praia envolvida nos pôsteres de filmes de romance? O gênero e o plot de um filme não são as únicas características a serem recicladas. Outra técnica da indústria cinematográfica é usar projetos gráficos muito similares de pôsteres de cinema, com a mesma paleta de cores ou disposição de elementos que já provaram sua eficácia anteriormente. O marketing global de um filme pode custar até 150 milhões de dólares e os pôsteres são uma forma de propaganda com limitações, portanto Hollywood usa essas similaridades para que o telespectador saiba sobre o que o filme se trata através de uma associação de design com outros pôsteres de grandes filmes com a mesma temática. Desta forma, Hollywood não arrisca perder dinheiro com estratégias de marketing que podem fracassar, apostando em um modelo pronto, e o que seria apenas uma imagem estática gera uma rede de conexões com outros filmes pertencentes à cultura popular.


Alguns exemplos, extraídos do site Business Insider e Cine Click:


Legenda: Filmes de romance e drama utilizam a sobreposição dos rostos dos autores, assim como cenas de ambos na praia, como fator em comum. Percebe-se também que com exceção do último filme, todos utilizam tons quentes.


Legenda: Filmes de comédia romântica apostam na pose dos protagonistas encarando lados opostos como uma alusão à ideia de “opostos se atraem”.


Legenda: Filmes de ação encontraram uma forma de atrair atenção utilizando a cor laranja, associada tanto com preto e branco quanto com azul para criar um contraste justificado na teoria das cores.


Legenda: Filmes de ação e suspense contam com stills de seus protagonistas correndo e a utilização de tons de azul. Alguns também usam desfoque para dar uma maior sensação de movimento e instabilidade.


Grandes movimentos de designers que buscam abordar pôsteres de cinema de forma mais criativa e original já existem. Para o Oscar de 2020, o banco de imagens Shutterstock realizou a oitava edição do Oscar Pop!, que reúne designers com a missão de reformular os pôsteres dos indicados a Melhor Filme no estilo Pop Art com o conteúdo disponível na plataforma. O resultado você encontra aqui: (Créditos: Shutterstock)











Apostar em estratégias de marketing tradicionais ou inovadoras não altera o fato de que o telespectador entra na sala de cinema em busca de algo que o proporcionará algo, seja entretenimento, sentimento ou escapismo. O longa metragem deve, portanto, ser capaz de dizer mais do que um cartaz de cinema já diz por si só.


E você? Já assistiu um filme só pelo seu cartaz de cinema? Como foi a experiência? Conta pra gente nos comentários!

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