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Direção de fotografia

Atualizado: 24 de Fev de 2019

Com a chegada do Oscar 2019, muitas pessoas correm até os cinemas para ficarem a par dos seus principais concorrentes. Melhor filme, melhor roteiro, melhor ator e atriz são chamarizes para quem gosta da sétima arte. Contudo, um dos principais prêmios da noite ainda desperta muitas dúvidas frente ao público, mesmo sendo elemento imprescindível na construção de toda a narrativa.


Você sabe o que é direção de fotografia? Ou então, o que faz este profissional dentro do filme?


Por definição, a palavra “fotografia” significa “desenhar pela luz”. De maneira simplista, é essencialmente toda técnica referente a criação de imagens por meio da exposição luminosa. Depois que o roteirista escreve incontáveis páginas, o produtor monta toda a equipe, o diretor assinala os caminhos da trama e os atores são escolhidos a dedo, cabe ao diretor de fotografia realizar o processo de construção e registro das imagens. Ou seja, “desenhar pela luz” todos os elementos que compõem o filme.


É de sua responsabilidade levar a atmosfera imaginada na pré-produção por meio de ferramentas baseadas em iluminação, filtros, lentes, movimentos de câmera, exposição e enquadramento.


Ele responde a seguinte indagação: Existe um conteúdo, uma temática a ser passada para o público através do filme. Mas, qual é a melhor forma de fazê-lo?


Por este motivo, o diretor de fotografia, acima de tudo, também é um artista. Conhecendo o roteiro e conversando com o diretor, representa conceitualmente a estética da obra através de incontáveis técnicas criadas, adaptadas e replicadas que envolvem o ato do registro.


Muitas vezes, o grande público passa batido conscientemente sobre tantas especificidades e nuances oriundas do trabalho executado por este profissional. Contudo, a soma de todas as suas responsabilidades gera o sentimento, aquela sensação buscada em cada cena para assim dar o tom do filme.


Abaixo, seguem alguns exemplos que melhor ilustram as intencionalidades pretendidas quanto a iluminação em set. Este é apenas uma das preocupações que um diretor de fotografia deve ter, mas já servem para ilustrar o quão importante é sua função durante todo o processo.


- Dureza e suavidade:


Quando se fala em como uma cena deve transmitir emoções somente pela fotografia, um elemento que sempre aparece na equação de qualquer diretor é o quão dura ou leve deve ser a luz. Basicamente, tendo um objeto principal a ser evidenciado pela câmera – sendo na maioria das vezes os próprios atores – se estabelece uma relação entre a quantidade de luz emitida versus o tamanho deste objeto.


Em outras palavras, consiste em mensurar o quão grande é a fonte de luz e o quanto ele afeta a criação de sombras, se o contraste entre o claro e escuro se dará de maneira incisiva ou branda. Assim, a fotografia parte em dar maior dureza ou suavidade para a cena, colaborando em estabelecer o lado emocional junto a atuação dos atores.


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Luz dura cria sombras e ajuda a compor o entendimento emocional incerto que vive o protagonista no sci-fi “Blade Runner” (1982) / Luz branda do exterior soma com a leveza do momento em que se encontra a personagem do romance “Restless” (2011).

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- Contraste e proporção:

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Uma forma de criar a iluminação de um filme é pensar em quais gêneros narrativos ele se enquadra. De um terror psicológico, passando por um drama de época, até chegar em uma comédia romântica, diferentes proporções entre luz e sombra podem ser utilizadas para gerar as intenções pretendidas.

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Seja medo, apreensão, felicidade, empatia, tristeza ou riso, balancear o contraste no rosto dos personagens é algo básico e que faz toda a diferença. Para ilustrar melhor, pense em qualquer ator. Agora, imagine que sua cara está iluminada de maneira uniforme, com muita pouca diferença entre o lado esquerdo e direito.

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Aos poucos, vá escurecendo apenas uma das metades.

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Continue até chegar ao ponto em que apenas um dos lados do seu rosto permanece visível.

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Os diferentes pontos desta escalada - entre o contraste da luz versus sombra - são utilizados de maneiras específicas dentro de um filme. Neste exercício que você acabou de executar, quais proporções ficariam melhor para um thriller policial ou então uma comédia?


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Com uma luz incisiva somente em um dos lados do rosto, o personagem do filme “Fight Club” (1999) tem toda a sua carga de mistério e dramaticidade ainda mais acentuada / Na comédia “Meet The Parents” (2000), o rosto dos personagens encontra-se com pouca ou nenhuma sombra, reforçando o clima leve e descontraído da obra.

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- Luz e narrativa:


Em certos casos, a luz não somente auxilia em dar o tom da cena, mas funciona como imprescindível elemento que dá todo o sentido para as ações e falas dos personagens. Um tipo comum de iluminação que segue esta linha de raciocínio é a “motivacional”.


Quantas vezes nos deparamos com dizeres populares ou alegorias em que caminhar na direção da luz é alcançar um estado pleno, atingir um conhecimento libertador sobre determinado assunto ou até mesmo chegar ao fim de uma jornada extenuante? A luz passa a ser a narrativa, eleva-se a um patamar inigualável para aquela cena em relação a qualquer outro elemento que possa compor a história.


Vale destacar que a luz “motivacional” é apenas uma das várias formas em que a iluminação passa a ser elemento narrativo decisivo.


As possibilidades são infinitas.

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O diretor de fotografia e ganhador de Oscar Roger Deakins é conhecido por utilizar em variadas cenas a luz com características motivacionais. No seu trabalho “The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford” (2007), o personagem sai da escuridão e caminha em direção a um grande foco de luz, além de carregar consigo uma lamparina. Tudo colabora em sinalizar a sua progressão, o momento que sai da dúvida em direção às respostas que tanto procura.


Os exemplos não param por aqui. Na verdade, os filmes trazidos neste artigo servem apenas como um ilustrativo sobre as várias técnicas e práticas que um diretor de fotografia emprega nas suas obras audiovisuais.


E isto falando apenas da iluminação.


Imagine colocar na equação os filtros, lentes, movimentos de câmera, exposição, enquadramento e demais incumbências tão importantes na hora de “desenhar pela luz”. Não é à toa que esta função é uma das mais importantes durante a noite do Oscar.


Aqui na Fauno Filmes, nossos vídeos – independente do formato, linguagem, propósito e duração – prezam por igual cuidado na hora de pensar sua fotografia. Toda a preocupação com a estética e luz se faz presente em nossos audiovisuais. Acreditamos que assim, somado a um roteiro, produção e direção bem alinhados, se sobressaia ainda mais as intencionalidades que se buscam.


Você quer emocionar, entreter, informar ou se aproximar do seu público? Deixe a direção de fotografia te ajudar ainda mais a alcançar este objetivo.


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Antes e depois do trabalho de iluminação realizado em um dos projetos da Fauno Filmes. As luzes do ambiente ajudam em compor a cena, mas só elas não dão conta em alcançar a intenção pretendida por de trás do vídeo.

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